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Equilíbrio ou rendição?

Do Centro ao Norte, o “depende” não resolve, apenas expõe. É nesse terreno instável que a dúvida se impõe: agradar a todos é possível ou toda tenta...

29/03/2026 10h36
Por: Redação068
Fonte: Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

Do Centro ao Norte, o “depende” não resolve, apenas expõe. É nesse terreno instável que a dúvida se impõe: agradar a todos é possível ou toda tentativa já nasce como contradição? A resposta tende a ser negativa. Ainda assim, insistimos, não por viabilidade, mas porque a expectativa de equilíbrio, muitas vezes, pesa mais do que o reconhecimento do conflito.

Há quem aposte em números, em métricas, em porcentagens. Mas a prática mostra outra coisa: há textos que não encontram acolhimento, discursos que não se ajustam, por mais que se tente calibrá-los. A história, em diferentes momentos, já revelou os limites dessas tentativas, seja na construção política ou nas formas de conduzir a sociedade.

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“Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” A frase não resolve o impasse, mas delimita fronteiras. E talvez seja justamente isso que evitamos: reconhecer que nem tudo se concilia.

É por isso que agradar parece-me um verbo tendencioso ao fracasso. Já dizia minha mãe: quem muito se abaixa…

Como, afinal, encontrar medida entre interesses distintos, entre vozes que não caminham na mesma direção? Talvez o erro esteja justamente na busca por um ponto que agrade a todos. Nem toda escolha nasce para ser consenso.

Com tudo isso, é possível observar esse movimento se repetir no cotidiano. Em conversas informais, a tentativa de agradar a todos leva o diálogo a uma espécie de neutralidade, em que decisões são adiadas e posições, suavizadas. Até prazos acabam se estendendo além do necessário, não por exigência concreta, mas pelo esforço de evitar desconfortos.

No fim, o que se preserva não é exatamente o consenso, mas a sensação de que ninguém saiu contrariado.

Como jornalista, a curiosidade em aprender mais é quase um vício, e o meu vem dessa tentativa insistente de conectar a filosofia a todo o resto. Pode ser uma ilusão, admito. Mas é uma que me permito sustentar. Afinal, se Rousseau estava certo ao dizer que “quem quer agradar a todos não agrada a ninguém”, então evitar o conflito não é equilíbrio, é escolha.

E aqui, prezados, não se trata de defender o confronto pelo confronto, mas de reconhecer que toda posição tem um custo, e que fugir dele também é uma forma de decisão.

Agradar a todos não é equilíbrio, é renúncia disfarçada. E, convenhamos: perder a própria essência custa mais do que desagradar.

Danna Anute é graduada em Letras – Francês e em Jornalismo pela Universidade Federal do Acre (Ufac). Atuou como repórter na Secretaria de Estado de Comunicação e, no âmbito federal, como assessora de imprensa no Ministério dos Transportes. Em Goiânia, integrou a Plural Imagem e Som, produtora premiada nacionalmente. Atualmente, é assessora de comunicação da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas, onde atua na valorização e na visibilidade dos povos originários.

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