A queda da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, também foi tema do pronunciamento do deputado Emerson Jarude (Novo) durante a sessão ordinária desta terça-feira (09), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). O parlamentar afirmou que o desabamento da estrutura evidencia falhas graves na aplicação dos recursos públicos e defendeu uma apuração rigorosa para identificar responsabilidades. Segundo ele, a população acreana não pode arcar novamente com os prejuízos decorrentes de uma obra que consumiu milhões de reais e teve sua utilização interrompida em pouco mais de um ano após a inauguração.
Ao rebater argumentos apresentados anteriormente no debate, Jarude disse que a justificativa relacionada ao fenômeno natural conhecido como “terras caídas” não afasta a necessidade de responsabilização. Para o deputado, justamente por se tratar de uma característica conhecida da região amazônica, os estudos e a execução da obra deveriam ter considerado essa condição desde o início. “Qualquer empreendimento construído às margens dos nossos rios precisa levar em conta esse fenômeno. Se isso era conhecido, por que as fundações não suportaram? Houve falta de fiscalização, erro de execução ou corrupção? Essas perguntas precisam ser respondidas à sociedade”, declarou.
O parlamentar comparou o custo da ponte de Sena Madureira com obras semelhantes realizadas em outros estados e questionou o valor investido pelo governo acreano. Segundo ele, além do contrato original, houve a realização de aditivos milionários durante a execução. “Uma ponte de extensão maior foi construída em outros estados por valores inferiores ao que foi gasto aqui. Só o valor dos aditivos equivale ao custo de uma obra inteira em algumas regiões do país. É preciso esclarecer por que essa obra ficou tão cara e por que, mesmo assim, não entregou a segurança esperada pela população”, observou.
Jarude também demonstrou preocupação com o futuro da ligação entre os dois lados da cidade e afirmou que a principal vítima do episódio é a população de Sena Madureira. Para ele, ainda não existe uma resposta concreta sobre quando uma nova estrutura será construída. “Quem está pagando essa conta é o povo. A cidade voltou a enfrentar dificuldades de deslocamento e ninguém consegue dizer quando haverá outra ponte. Antes de qualquer coisa, é preciso garantir que os responsáveis sejam identificados e que os prejuízos não recaiam novamente sobre os cofres públicos”, argumentou.
Ao encerrar a fala, o deputado associou o episódio a problemas que, segundo ele, se repetem em diferentes áreas da administração estadual, citando obras inacabadas, falhas em serviços públicos e dificuldades enfrentadas pela população. “O que aconteceu em Sena Madureira não pode ser tratado como um fato isolado. É mais um caso que exige transparência, fiscalização e respeito com o dinheiro do contribuinte. O acreano merece respostas e, principalmente, soluções”, concluiu.
Texto: Andressa Oliveira
Foto: Sérgio Vale
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