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Convergências e Divergências entre o movimento indígena e os partidos políticos

Convergências e Divergências entre o movimento indígena e os partidos políticos

03/07/2022 08h51Atualizado há 4 anos
Por: Redação068
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Artigo de Leandro Altheman

As eleições de 2020 celebraram a maior vitória do movimento indígena no âmbito eleitoral brasileiro, com 236 indígenas eleitos de 71 povos diferentes.
Contudo, merece atenção especial as siglas pela qual se elegeram a maior parte dos indígenas brasileiros. Apenas a menor parte se deu em siglas partidárias ditas de esquerda. É verdade que o PT elegeu o maior número de candidatos indígenas: 25. Mas é seguido de perto pelo MDB, com 22, e o PSD, 19. Olhando na totalidade, partidos de esquerda e centro esquerda ficaram com a menor fatia, enquanto centro, centro-direita e direita ficaram com a maioria dos candidatos eleitos.

O tema deve ser motivo de reflexão. Por que, afinal, candidatos indígenas, em partidos não tão identificados com as causas indígenas, obtiveram em geral maior sucesso nas eleições?

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Talvez seja impossível uma explicação geral sobre o fenômeno. Mas quando observadas de perto as realidades locais e regionais dos partidos políticos, é possível vislumbrar o quanto essas realidades locais influíram nesse quadro.

No Acre, o caso mais evidente foi a (re)eleição de Isaac Piyãko para a prefeitura de Marechal Thaumaturgo pelo PSD, partido do senador Sérgio Petecão. Ocorre que, por mais que o PT se declare favorável às causas indígenas, na realidade local de Marechal Thaumaturgo, não houve espaço na sigla para que Piyãko pudesse disputar. Na verdade, o PT fez oposição ferrenha à Isaac durante os quatro anos de mandato, e lançou uma candidatura de oposição, junto com o MDB, adversários históricos, que acabou derrotada nas eleições de 2020.

Francisco Piyãko disputou as eleições de 2018 pelo PSOL, talvez o partido que mais tem defendido a causa indígena, por meio de sua principal expoente, Sônia Guajajara. Francisco, contudo, não obteve o número de votos suficientes. Segundo Francisco, o partido não investiu na sua candidatura.

“O PSOL não priorizou minha candidatura, não apostou, e faltaram cerca de 4 mil votos para vencer. O PT também não apoiou. De cerca de 12 milhões de reais investidos na campanha no estado, a minha campanha recebeu apenas 2.500 reais”, disse Francisco durante entrevista.

Segundo Francisco, houve um convite do ex-senador Jorge Viana (PT) para disputar as eleições deste ano, mas na sua avaliação, suas chances seriam menores. “Reconheço o grande trabalho que foi feito e os avanços que foram conquistados durante os governos do PT. Mas não houve renovação. A política ficou fechada, restrita a um pequeno grupo”.

De modo bastante objetivo: a principal candidatura do PT para deputado federal é a reeleição de Léo de Brito, o que significa que além de receber a maior quantidade de recursos do fundo partidário, os votos dos demais candidatos da sigla, como seria o caso de Piyãko se disputasse pelo PT, serviriam para, na soma, ajudar na reeleição de Léo.

Olhando de perto é possível perceber que nem sempre as disputas de candidaturas indígenas e a política partidária andam juntas. Os interesses partidários nem sempre convergem com os pleitos de candidatos indígenas.

No PSD, Francisco entende ter melhores chances de uma vitória real. O partido, no espectro do centro político, já fechou com Lula em Minas Gerais e liberou seus candidatos a apoiarem quem julgarem melhor para presidente. No Acre, há uma aproximação entre Petecão e Jorge Viana. Em seus discursos, Francisco vem fazendo uma crítica contundente às políticas do governo Bolsonaro e não deixa dúvida de que lado está: do lado dos povos indígenas, de suas lutas e reivindicações, e principalmente buscando ser uma voz de encontro entre vários grupos de minoria no parlamento e nos governos.