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“Vinte anos se passaram rápido e os últimos quatro não acabam nunca”, desabafa extrativista da reserva Antimary à Nazaré Araújo

“Vinte anos se passaram rápido e os últimos quatro não acabam nunca”, desabafa extrativista da reserva Antimary à Nazaré Araújo

10/09/2022 22h27Atualizado há 3 anos
Por: Redação068
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A candidata ao Senado Nazaré Araújo (PT) cumpriu agenda no município do Bujari na manhã deste sábado, 10, com lideranças da Federação Brasil da Esperança. Em seguida, dirigiu-se à Floresta Estadual do Antimary, por meio de uma BR-364 tomada por buracos e ramais carentes de manutenção. Lá, a ex-vice-governadora do Acre se deparou com a dura realidade de moradores completamente desassistidos pelos governos estadual e federal.

O extrativista Marivaldo Rodrigues, 55, denunciou que além de não contar mais com investimentos para trabalhar com agricultura familiar, os moradores têm que lidar ainda com a agressão da polícia e de técnicos do governo do Acre. “Estamos vivendo como animais aqui na floresta. Tenho um ditado com os meus companheiros: 20 anos se passaram muito rápido e os últimos 4 não acabam nunca, devido ao abandono que estamos sofrendo. O Manejo Florestal Madeireiro está parado. De acordo com o inventário, hoje temos 1.500 hectares para o manejo, para dar sustento a essas famílias que aqui vivem, mas não fomos prioridade para o atual governo. Não funciona mais”, desabafou.

Realidade essa confirmada pelo também extrativista Francisco Freitas dos Santos, 53, morador do Ramal do Ouro, no Antimary. “Faltam melhorias nos ramais para que a gente possa extrair o nosso produto. Faltam recursos. Antes, a gente mexia com a seringa e a semente, mas hoje já não tem mais mercado. Nos restou mexer apenas com um pouco de castanha, legumes ou vender nossos poucos bezerros”, destacou.

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De acordo com Marivaldo Rodrigues, nos governos de Jorge Viana, Binho Marques e Tião Viana, a Floresta do Antimary já chegou a contar com quatro escolas. Hoje, apenas uma funciona. Inclusive, as crianças do Antimary passaram o período pandêmico todo sem aulas. Como no local não há acesso à internet, os estudantes não conseguiram acompanhar o conteúdo de casa. Em agosto, após mais de dois anos parados, as aulas foram retomadas, no entanto, sem qualquer tipo de plano para repor o conteúdo perdido.

O abandono governamental torna tudo ainda mais difícil para as mulheres do Antimary. A extrativista Eliane Lima, 27, é mãe da pequena Maitê, de 2 meses de vida. Ela conta que o seu pré-natal foi feito no município do Bujari, a 115 km de casa, pois nas proximidades da reserva não existe unidade de saúde. Por isso, adoecer não é uma opção para as moradoras da região. “Para ir ao hospital, a gente depende de algum vizinho que tenha um carro para nos levar até a estrada e de lá pegamos um táxi”, explicou.

Diante das denúncias, Nazaré Araújo se disse indignada, pois quando foi vice-governadora na gestão do Tião Viana, garantiu ter deixado a reserva amparada, com manejo em pleno funcionamento, o que assegurava o sustento das famílias. Os ramais recebiam periódicas manutenções para o escoamento dos produtos e os moradores eram atendidos por mutirões de saúde e especialização profissional do programa Mulher Cidadã.

“Passei hoje por uma ponte derrubada e fiquei imaginando como é que vai ser o inverno. Há uma grande possibilidade de que vocês fiquem isolados. Por isso, eu vou sair daqui e já vou conversar com o Jorge para que o Antimary seja uma das primeiras comunidades, depois dele ganhar, a passar por um estudo do que vai ser feito no primeiro momento”, garantiu.