
O Senado promoveu nesta quarta-feira (21) uma homenagem tripla à aviação nacional: em sessão especial, a Casa comemorou os 120 anos do primeiro voo do 14-Bis, o Dia do Aviador e o Dia da Força Aérea Brasileira (FAB).
O 14-Bis, construído e pilotado por Alberto Santos Dumont, fez seu primeiro voo em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris. Por essa razão, tanto o Dia do Aviador como o Dia da Força Aérea Brasileira são celebrados em 23 de outubro.
A sessão especial aconteceu a pedido do senador Dr. Hiran (PP-RR). Seu requerimento ( RQS 399/2026 ) também foi assinado por outros parlamentares.
A homenagem relembrou não só o pioneirismo de Santos Dumont ao pilotar a primeira aeronave mais pesada que o ar, como também destacou a importância da Aeronáutica para a defesa nacional e para as atividades de apoio à sociedade.
Durante o evento, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que presidiu a cerimônia, disse que as três comemorações “contam a mesma história: a vocação de um país que nasceu para voar”.
Pontes ressaltou que daqui a dois dias completam-se "120 anos do voo que mudou o mundo".
— O 14-Bis não foi lançado por uma catapulta nem empurrado ladeira abaixo; decolou por meios próprios, com o motor Antoinette, de 50 cavalos, e uma hélice atrás do piloto. Foi pouco tempo no ar, a poucos metros do chão, mas aquele pequeno voo ficou na história da humanidade.
O senador recordou que, três semanas depois, em 12 de novembro de 1906, Santos Dumont retornou ao Campo de Bagatelle.
— E então voou 220 metros, em cerca de 21 segundos, sob controle do Aeroclube da França. Foi o primeiro recorde mundial de aviação. O Brasil nunca esqueceu esse feito.
Comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno declarou que Santos Dumont “não nos levou apenas a uma obra prima da engenharia, mas personificou o DNA do brasileiro pela sua inquietude criadora, pela coragem de desafiar limites e pela determinação de transformar grandes ideias em realizações voltadas ao bem coletivo”.
Presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antonio Chamon também homenageou Santos Dumont, que detém os títulos de herói da pátria ( Lei 11.298, de 2006 ) epatrono da Aeronáutica brasileira ( Lei 7.243, de 1984 ).
— Quero comemorar o seu legado, não apenas para os seus contemporâneos, mas para todos os que vieram depois dele. Quero comemorar aquilo que ele deixou para o futuro e para as pessoas do futuro, suas invenções, por certo, mas também o seu exemplo de desprendimento.
Em 2026, a Força Aérea Brasileira comemora 85 anos. Oficial da FAB, o senador Astronauta Marcos Pontes lembrou que neste ano se celebram os 20 anos da Missão Centenário, da qual ele participou, que foi ao espaço na nave Soyuz TMA-8.
— Tudo que eu levei para o espaço, eu aprendi primeiro aqui embaixo, na Força Aérea Brasileira: a disciplina, o trabalho em equipe, o respeito pelo procedimento, a segurança de voo e a confiança no grupo. Nada disso se improvisa.
Paraquedista militar e general da reserva do Exército, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) enfatizou a importância do orçamento destinado às Forças Armadas, para “aquilo que é necessário para que a gente se prepare e fique em condições de ser empregado na defesa do nosso país e dos nossos interesses”.
Nesse contexto, Mourão frisou a atuação da FAB:
— É a Força Aérea Brasileira que nos garante a mobilidade, não só estratégica, mas tática também, para tudo aquilo que nós temos de fazer num país com a imensidão como o nosso.
O comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, declarou que, "ao longo desse extraordinário percurso [desde o primeiro voo do 14-Bis], gerações de brasileiros ousaram desafiar limites, transformar conhecimento em realizações e conduzir o país a horizontes antes inimagináveis".
— São homens e mulheres, militares e civis, que ajudaram a escrever a gloriosa história da Força Aérea Brasileira e a consolidar, ao longo de seus 85 anos de existência, nossa instituição como as "asas que protegem o país".
Representante da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Roberto José Silveira Honorato, que integra a diretoria dessa entidade, salientou o papel da FAB na defesa da soberania, na integração do território e na atuação em situações de emergência.
Ele também assinalou as contribuições da Força Aérea Brasileira para a pesquisa, a formação de profissionais e o desenvolvimento da capacidade aeronáutica nacional.
Além disso, Honorato afirmou que as origens da Anac estão profundamente ligadas à FAB — e citou como exemplo o compromisso comum das duas entidades com a segurança.
Também participaram da sessão especial no Senado o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o comandante do Batalhão de Aviação Operacional do Distrito Federal, tenente-coronel Fabrício de Andrade Raymundo; oficiais da FAB; e o corpo de cadetes da Aeronáutica brasileira.


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