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Produção de mel cresce 84% em quatro anos e se consolida como alternativa sustentável no Acre

Consolidada como uma atividade em expansão no Acre, a cadeia produtiva do mel vem se fortalecendo como uma alternativa de desenvolvimento sustentáv...

04/11/2026 18h27
Por: Redação068
Fonte: Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

Consolidada como uma atividade em expansão no Acre, a cadeia produtiva do mel vem se fortalecendo como uma alternativa de desenvolvimento sustentável, ao conciliar geração de renda, inclusão produtiva e conservação ambiental. A atividade beneficia produtores rurais que, após receberem capacitação técnica, tornam-se multiplicadores de conhecimento e contribuem para o fortalecimento de um setor que segue em processo de crescimento e profissionalização.

Cadeia do mel tem se tornado alternativa sustentável de economia. Foto: Tácita Muniz/Secom
Cadeia do mel tem se tornado alternativa sustentável de economia. Foto: Tácita Muniz/Secom

Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Acre produziu 9.638 quilos de mel em 2025, movimentando R$ 646 mil em valor de produção. Senador Guiomard liderou o ranking estadual e aparece como o principal polo produtor. Embora ainda tenha amplo potencial de expansão, a produção de mel de abelhas com e sem ferrão no estado já apresenta resultados expressivos. Em quatro anos, o valor da produção saltou de R$ 351 mil, em 2021, para R$ 646 mil em 2025, um crescimento de 84%.

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A partir de 2022, políticas públicas estaduais e parcerias institucionais, especialmente no âmbito do Programa REM Acre – Fase 2, passaram a incluir a apicultura entre as cadeias produtivas prioritárias para investimentos e apoio técnico. As ações envolveram capacitação de produtores, aperfeiçoamento das práticas de manejo e beneficiamento, além do fortalecimento de associações e cooperativas, com foco na estruturação da atividade, na elevação dos padrões de qualidade e na ampliação do acesso aos mercados.

O avanço do setor, refletido no aumento do número de produtores beneficiados e no crescimento da produção, evidencia o potencial da apicultura como vetor de desenvolvimento sustentável. Além de diversificar a renda das famílias rurais, a atividade contribui para a conservação da biodiversidade, fortalece os serviços ambientais prestados pelas abelhas e valoriza a floresta em pé, em sintonia com os objetivos do Programa REM Acre – Fase 2.

Seagri tem sido parceira de produtores ao aplicar recursos em capacitação e expansão da cadeia . Foto: cedida
Seagri tem sido parceira de produtores ao aplicar recursos em capacitação e expansão da cadeia . Foto: cedida

Apicultura e meliponicultura ganham força

No último fim de semana, Rio Branco recebeu a 1ª Feira do Mel, realizada no Horto Florestal. O evento reuniu produtores, pesquisadores, instituições de ensino e órgãos públicos em uma iniciativa voltada ao fortalecimento da apicultura e da meliponicultura no Acre. A chefe do Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel (Numel), da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), Rúbia Lima, destacou que a feira é resultado da articulação entre diferentes instituições comprometidas com o desenvolvimento do setor.

Segundo ela, a iniciativa surgiu a partir de uma proposta apresentada pela organização não governamental (ONG) Mãos Que Ajudam, que recebeu o apoio de diversos parceiros para se tornar realidade.

Evento levou público a conhecer mais sobre a produção de mel no Acre. Foto: Tácita Muniz/Secom
Evento levou público a conhecer mais sobre a produção de mel no Acre. Foto: Tácita Muniz/Secom

“A ONG Mãos Que Ajudam nos procurou e nós abraçamos a ideia. A partir dessa iniciativa, unimos esforços com a Seagri, a Ufac, o Ifac, prefeituras e outros órgãos parceiros para realizar esta feira”, afirmou.

A gestora ressaltou que a participação da Seagri ocorreu de forma natural, uma vez que o Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel integra a estrutura da secretaria. Segundo ela, além de apoiar a realização do evento, a instituição busca promover a troca de conhecimentos entre produtores, técnicos e pesquisadores, contribuindo para o fortalecimento e a profissionalização da cadeia produtiva do mel no estado.

Manejo de abelhas sem ferrão tem sido atrativo econômico e turístico no Acre. Foto: Tácita Muniz/Secom
Manejo de abelhas sem ferrão tem sido atrativo econômico e turístico no Acre. Foto: Tácita Muniz/Secom

Trabalho de abelhinhas

“Os pesquisadores convidados têm compartilhado conhecimentos importantes com os nossos produtores. Temos aprendido muito com eles, recebido orientações e dicas que fortalecem ainda mais a cadeia produtiva. Esse intercâmbio de experiências é essencial para o desenvolvimento do setor”, disse.

Para Rúbia, o fortalecimento da cadeia do mel depende da atuação conjunta de todos os envolvidos, seguindo um modelo de cooperação semelhante ao observado nas colmeias.

“As abelhas vivem em comunidade, trabalhando de forma integrada, e acreditamos que esse também deve ser o espírito do nosso trabalho. Não basta apenas fomentar a atividade; é preciso participar, acompanhar e estar presente em todas as etapas do processo”, destacou.

Público pôde degustar diversos tipos de mel. Foto: Tácita Muniz/Secom
Público pôde degustar diversos tipos de mel. Foto: Tácita Muniz/Secom

A coordenadora também enfatizou os avanços alcançados nos últimos anos por meio de políticas públicas e programas de incentivo. Segundo ela, o trabalho de estruturação da cadeia produtiva permitiu o georreferenciamento dos produtores e a ampliação da presença da atividade em diferentes regiões do estado.

“Hoje contamos com cerca de 250 produtores cadastrados em todo o Acre. A atividade está presente em aproximadamente 15 municípios, embora cerca de 12 estejam mais ativos atualmente”, explicou.

Ainda de acordo com a gestora, os produtores vêm sendo beneficiados por cursos, palestras, capacitações e intercâmbios técnicos voltados à qualificação da atividade. Ela reconhece que nem todos conseguem participar de todas as ações devido aos custos envolvidos, mas destaca que o trabalho de fortalecimento da cadeia produtiva tem sido contínuo.

Mesmo com recursos considerados modestos em comparação aos destinados a outras cadeias produtivas, Rúbia Lima avalia que os resultados demonstram a capacidade de crescimento do setor.

Gislene Almeida Carvalho–Zilse, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), esteve no Acre ministrando palestra. Foto: cedida
Gislene Almeida Carvalho–Zilse, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), esteve no Acre ministrando palestra. Foto: cedida

“Procuramos fazer muito com os recursos disponíveis. O importante é que seguimos avançando, fortalecendo os produtores e criando oportunidades para o crescimento da atividade no estado”, concluiu.

Do mel à preservação ambiental

Gislene Almeida Carvalho–Zilse, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), autoridade no setor, destacou que eventos como a Feira do Mel, como ocorreu em Rio Branco são extremamente necessários.

“Além de impulsionarem a economia e a agricultura familiar, também promovem inovação, divulgação de conhecimento e valorização de práticas que fazem parte da nossa cultura há muito tempo. As abelhas estão presentes na relação do ser humano com a natureza desde tempos muito antigos, e encontros como este ajudam a aproximar produtores, pesquisadores, instituições e consumidores”, esclarece.

A pesquisadora reforça que esta é uma oportunidade para que as pessoas conheçam as abelhas, entendam sua biologia, reprodução e manejo, mas também compreendam como esse trabalho se transforma em produtos que chegam ao mercado.

“Ao mesmo tempo, permite o diálogo entre produtores, órgãos fiscalizadores, instituições de pesquisa e gestores públicos sobre os desafios e as oportunidades do setor. Quando esses diferentes segmentos se encontram, é possível identificar gargalos, discutir regulamentações necessárias e construir caminhos para o fortalecimento da atividade”, pontua.

Público pôde conhecer de perto abelhas sem ferrão. Foto: Tácita Muniz/Secom
Público pôde conhecer de perto abelhas sem ferrão. Foto: Tácita Muniz/Secom

Cada participante compartilha sua experiência e leva novos aprendizados para aplicar na prática. Isso contribui, na avaliação dela, diretamente para o desenvolvimento da apicultura e da meliponicultura.

“Durante o evento, por exemplo, discutimos questões relacionadas às doenças das abelhas. Muitas vezes, os criadores não têm conhecimento de que esses insetos também podem adoecer e que práticas simples de manejo podem favorecer a contaminação entre colônias. Uma ferramenta utilizada em uma caixa pode transportar microrganismos para outra se não houver os devidos cuidados. Essas informações são fundamentais para melhorar a produção e garantir colônias mais saudáveis.”

Além do aspecto econômico, a criação de abelhas tem um papel essencial para o equilíbrio ambiental, pois são responsáveis por processos importantes de polinização e contribuem diretamente para a reprodução de inúmeras espécies vegetais.

“Diferentemente de outras atividades produtivas, em que muitas vezes é necessário remover a vegetação para implantação da criação, a meliponicultura e a apicultura exigem exatamente o contrário, uma vez que é preciso preservar e ampliar as áreas com vegetação e flores. Quanto mais recursos florais existirem, melhores serão as condições para as abelhas se desenvolverem. Por isso, essa é uma atividade que alia geração de renda e conservação ambiental.

Feira proporcionou conhecimento e experiência ao público ao disponibilizar Trilha do Mel. Foto: Tácita Muniz/Secom
Feira proporcionou conhecimento e experiência ao público ao disponibilizar Trilha do Mel. Foto: Tácita Muniz/Secom

Visitação e aprendizado

Além de movimentar a cadeia produtiva do mel, a feira também tem atraído famílias, estudantes e consumidores interessados em conhecer mais sobre a produção e os benefícios do produto. Entre os visitantes estava Elisson Reis, que soube do evento por meio das redes sociais e decidiu participar com a família.

Segundo ele, a curiosidade da filha mais velha pelos animais foi um dos fatores que motivaram a visita. A família aproveitou a oportunidade para experimentar diferentes tipos de mel, adquirir produtos e conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelos produtores.

“A experiência está sendo incrível. Muitas vezes as crianças veem esses assuntos apenas nos livros, mas aqui conseguem observar de perto as abelhas, entender como funciona o manejo e conhecer mais sobre a produção de mel”, relatou.

Para ele, a vivência proporcionada pela feira torna o aprendizado mais acessível e significativo, ao aproximar o público urbano da realidade dos produtores e da importância das abelhas para o meio ambiente e para a produção de alimentos.

Feira do Mel movimentou economia e mostrou detalhes da produção no estado. Foto: Tácita Muniz/Secom
Feira do Mel movimentou economia e mostrou detalhes da produção no estado. Foto: Tácita Muniz/Secom

Outra visitante, Rubenita Barbosa, contou que ficou sabendo do evento pela televisão e decidiu participar por já ser consumidora de mel. Ela ressaltou que utiliza o produto tanto na alimentação quanto como alternativa caseira para auxiliar no alívio de sintomas gripais e problemas respiratórios.

Na avaliação dela, a feira tem um importante papel na divulgação de informações sobre a diversidade de méis e de espécies de abelhas existentes na região, além de aproximar os produtores da população.

“Achei muito importante a realização de um evento como este, porque muitas pessoas ainda não conhecem bem os diferentes tipos de mel e de abelhas que existem. Aqui a gente tem a oportunidade de receber informações e entender melhor a produção”, afirmou.

Ela também destacou a importância de valorizar os produtores locais e ampliar o conhecimento da população sobre um produto cada vez mais presente na rotina das famílias acreanas.

“Estou gostando muito da feira. É uma oportunidade de conhecer mais sobre um produto da nossa região e valorizar quem trabalha com essa produção”, concluiu.

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